Voei até os céus e implorei às estrelas, À mais brilhante delas que eu pude encontrar Seus raios de amor, de virtude e nobreza, As luzes da coragem, ternura e grandeza Que o meu amor de mãe te ansiava entregar
Eu mergulho no abismo de mim mesmo Me procuro na caverna em que me escondo E me encontro, encurvado, em sofrimento, Na escuridão, meus erros camuflando (...)
Que voz é essa que me consola baixinho Cantando ao berço bela canção de ninar Tua cantiga me invade a alma e eu sinto Cada agonia do meu sofrer se acalmar
Moro onde o Sol é majestade Alvorada que se faz magia Baila ao céu, reinando dia e tarde Toca o solo em raios tão suaves Que, mesmo ao se por, é poesia (...)
Quando a tristeza te invadir, abre a janela e sente A luz do Sol a te aquecer, com sua terna chama Te joga, plena, a receber esse calor perene Olha p'ro dia em gratidão, abre teus braços, dança [...]
Onde jazes, oh, Morte? Não existes? Onde ficas, oh, Nada que ansiei? Foi-me o corpo, mas minha alma vive! Permaneço sofrendo, eterna, triste, Nestas sombras que expressam o que plantei (...)
Depois que as guerras dormem e os derrotados tombam Na hora dolorosa do esvair da vida; E os vitoriosos, em meio aos escombros, Voltam, atordoados, ao altar de sua desdita
Como é bom olhar pra dentro, percebendo o mar bravio Que navega em nossas almas e afoga o coração, E aprender a superar-se a cada apego, a cada vício, A cada ira, cada medo, cada Onda-desafio Até o mar tornar-se lago de completa mansidão (...)
Nobres homens, da cor da alta noite Que reflete o brilho do luar Perdem o lar, o futuro, o amor, a sorte Caem presos ao peso do açoite Dos grilhões, da vergonha de além-mar (...)
Sinto n’alma a saudade de um tempo esquecido De um outro caminho, de um outro lugar Como não fosse meu esse estranho destino Esse teimoso rio que me obriga a nadar [...]
Eu deliro, ambicionando crer Que a desdita que esmaga o peito Tenha causa, tenha merecer Tenha origem em tempo a se perder Que não seja Acaso: seja Efeito! (...)