Há algo em mim que eu não quero perder Há algo em mim que eu não quero mudar Meu ver diferente, outro jeito de ser Meu “não pertencer”, meu jamais “se encaixar” (...)
Eu quero uma nova chance, voltar no tempo, Ao ninho silencioso, ventre divino Deixar ali os meus medos e os meus lamentos E refazer meu caminho em só sorriso (...)
Tu me vês como a um Deus, e Eu por ti choro Tu contemplas minha cruz, e Eu, teu lamento Me procuras no altar, e Eu ao teu lado Me veneras no falar, e Eu só te amo (...)
Existe algo mais ... eu posso sentir! Que eu não posso ver, mas que olha p’ra mim Não posso escutar, mas sabe me ouvir Não sei de onde é, mas está sempre aqui! [...]
Perdão, ano novo que me chega à porta Não me entenda mal. Não, eu não te desprezo Mas antes de te festejar a chegada Desejo ao que acaba: feliz ano velho!
Senhor, eu sei: da singeleza do orvalho que embeleza a natureza adormecida, ao mais brilhante e imponente dentre os astros que, ao Teu comando, faz brotar, ao chão, a Vida
Eu sinto a força encantada da magia Que reina plena, muito além da ilusão Sinto seu toque, sua presença em cada vida Em cada instante, em cada ser da criação [...]
Sente e acolhe essa saudade que te invade Sente e chora a falta de sua presença Sente e aceita a triste sina que te abate Na certeza de que quem morre não se ausenta
Reconheço esse rosto de serenidade Esse olhar tão profundo... - És Tu, meu Rabi! Que me buscas no abismo de minhas verdades Que me jorras perdão, logo a mim, que o traí (...)
Sinto, no Silêncio em que me encontro, Um luzir de nova alvorada, Uma paz, um toque de encanto, Como a vibrar suave canto, Acalmando as fibras de minh’alma.
Joga fora a arrogância de querer ser sempre a certa, Essa superioridade que te empurra à solidão Joga fora a aparência, esse lixo que te cega Joga fora o peso-morto que te enfada o coração (...)
E a Vida te devolve à gruta da desdita Ao chão que te obriga à tua companhia Onde te aguardam vícios que outrora camuflaste Na esquecida gruta de tua alma ferida (...)