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TERRA

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I
Eu sou jovem, pequenina
Tenho em mim a cor da Vida
Bailo cada melodia
Que o Sol canta enquanto brilha

No Sistema, a terceira
Me ladeiam dois irmãos
De um lado amor, beleza
Do outro, guerra, maldição

Sou beleza abençoada
Pela Vênus à direita
Sou paisagem bem moldada
Qual jardim da realeza

Sou pura fertilidade
Trago ao ventre filhos mil
Que assento em ares, mares
Solos, selvas, campos, rios

Eu transbordo em cuidados
Eu transpiro proteção
Alimento, cubro, afago
Toda a minha criação

Jorro Amor em largas chuvas
Beijos sopro aos filhos meus
Broto ao solo só fartura
Sempre estou, não digo adeus

Sou prenúncio de alegrias
Com que Vênus me brindou
Transformando em mil folias
O Amor que transbordou

II
Eu sou poço de desgosto
Trago em mim o dom da morte
Que derramo a contragosto,
Por ser essa a minha sorte

No Sistema, só terceira
Me ladeiam dois irmãos
De um lado amor, beleza
Do outro, guerra, maldição

Por Marte amaldiçoada
A dar solo à desdita
Sou paisagens disfarçadas,
Armadilhas para a vida

Eu sou infelicidade
Trago ao ventre filhos mil
Que abandono em ares, mares
Solos, selvas, campos, rios

Eu transbordo negligência
Eu transpiro despreparo
Os condeno à indigência,
Sacrifício e desamparo

Os afogam as chuvas largas
Os soterram os montes meus
Seca, o Sol, o solo e a alma
Gera a fome, gera adeus

Sou prenúncio de misérias
Com que Marte me amargou
O outro lado da moeda
Onde o Amor nunca chegou.

 

(Samia Awada)

 

Licença de uso Pixabay, de compartilhamento e uso de imagens. 

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Palavras-chave:

bem e mal, poesia espiritualista, planeta Terra, Vênus, Marte

Criado em Agosto de 2020

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Direitos autorais  e de propriedade reservados a Samia M. Awada. 

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