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SOB A COR DA ALVORADA

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I
Na casa escura a cena, a lembrança
Da traição que mata a confiança
Plantou-me na alma frágil em esperança
A dor maior que a dor real da trama

Naquela noite, em plena madrugada
Alma ferida, quão despreparada,
Ceguei, cedendo à dor e à desdita
E planejei fugir da triste lida

Antes, abri a porta em despedida,
Mas ao abri-la, abri-me à leve brisa
Que me abrandou a força da lembrança

Corri, descalça, à praça da infância
Deitei na relva, qual quando criança
E adormeci nos braços da Esperança

II
Acordei sob a cor da alvorada
À luz de um novo dia que raiava
Belezas que agora eu percebia
De um Universo pleno em harmonia

Ergui-me à relva, e olhando em volta a Vida,
A dor se fez menor que parecia
Em tudo, tanta oferta de ventura
Que se fez tola a fuga que eu nutria

Compreendi, humilde, que o destino,
Me traz a dor e amor de que preciso,
Que me enobrecem e fortalecem a alma

P’ra que eu, nos versos da Sabedoria,
Guiando em plenitude a própria vida,
Seja feliz na eterna caminhada.

 

(Samia Awada)

 

Licença de uso Pixabay, de compartilhamento e uso de imagens. 

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Palavras-chave:

poesia sobre vida. suicídio, esperança

Criado em Agosto de 2020

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