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Saga das Almas
PAPÉIS

I
Quando evitares estar só contigo
Cedendo ao medo de veres quem és
E à multidão implorares abrigo
Te escondendo em teus outros papéis
Quando o poder se esvair de tuas mãos
E a posição social se mover
E o recomeço se calar aos “nãos”
E a confiança em ti desvanecer
Quando o amigo ferir-te a amizade
E vomitar-te o fel que escondia
Desiludindo tuas frágeis verdades,
Te acendendo desprezo e ira
Quando teu rosto gastar-se de tempo
Quanto o teu corpo em prisão se tornar
E a vaidade, à visão dos escombros
Em desespero, te atormentar
Quando a amada esfriar te amar
E te fugirem outros poços de amor
E te doer, te levando a chorar
E, de chorar, te esqueceres na dor
Quando outros rumos trilharem teus filhos
Rumos aonde não consegues ir
E te curvares aos berços vazios
E desesperos chorares ali
Quando o teu Templo perder o sentido
E a reza fácil não mais confortar
E decidires por outros caminhos
Mas não saberes o que mais buscar
Quando a Vida esquecer teus anseios
Que cultivaste em teus muitos papéis
Para teu tempo. Retorna ao começo
Te olha inteiro. Recorda quem és.
II
Mergulha em ti e descobre a criança
Tola, mimada, perdida que és
Ama, te acolhe e te oferta à mudança
Muda tua história em teus muitos papéis
Ouve a mensagem que a Vida te traz
Nos tantos “nãos” ao adulto exigente
Sê mais humilde e confia mais
Tenta de novo, tenta diferente.
Sê compassivo ao amigo ferino
Perdoa, aceita e deixa que vá
Lembra: tu és o teu melhor amigo
Se estás contigo, irás superar
Toca teu rosto já gasto de tempo
Ri e agradece tudo o que passou
Contempla o belo de cada momento
Com a alma jovem que o tempo forjou
Reflete fundo no Amor magoado
Que sucumbiu ante tuas cobranças,
Que esfriou ao te ver dominá-lo
E te deixou, só, com tuas lembranças
E aprende agora que Amor não maltrata
Amor aceita, admira e ampara
Amor liberta a pessoa amada
Amor não cobra. Só ama, mais nada!
Sente que habitas o Templo Divino
Sente o Divino que habita em ti
O Pai se expressa em cada caminho,
Em cada Templo que escolheres ir
Pois muito além dos papéis de amigo,
De pai, marido, patrão, cidadão,
Tu és, primeiro, o filho querido
Que o Pai eterno não larga da mão.
(Samia Awada)


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Palavras-chave:
poesia sobre auto iluminação, auto conhecimento