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OS REFUGIADOS

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Da Assíria milenar dos navegantes
Da Damasco que São Paulo eternizou
Surgem gritos de amargura delirante
Que retumbam horrenda chaga, louca dor

Brado rouco de um povo que agoniza
Sob o cerco de uma guerra que surgiu
Da esperança de uma estranha Primavera
Que, se Árabe, aos árabes traiu

Eis que as Trevas cobrem a Síria encantada
De vermelho tingem os corpos das crianças
Criam a “fé” sem fé que impõe, persegue e mata
Calam o orgulho, a história, o sonho, a esperança

Pelas Costas foge o povo do Levante
Sob a mira do terror, recorrem ao mar
Não encontram as galés fenícias d’antes
E em traineira rasgam as águas p’ra outro lar

São quinhentos, de milhões, em alto mar
São quinhentas almas, os refugiados
São quinhentos, frágil folha a navegar
Entre o céu e o mar, futuro e o passado

Na viagem eternizada na saudade
Mães carregam ao ventre o anjo não nascido
Pais abraçam ao peito os filhos assustados
Na ilusão de os protegerem do perigo

“Doce mar dos ancestrais – pensa um pai
Quatro filhas, quatro anjos trago aqui
São meu tudo, leva-as vivas para a paz
A outro Mundo onde voltem a sorrir”

“Degredado, perseguido, sigo atrás
De um futuro em outros mares, em outras terras
Deixo o orgulho de idas eras para trás
Nada peço para mim; peço por elas ”

E o mar Mediterrâneo que antes pleno
De altiva embarcação de Cedro raro
Ante os homens frágeis do esplendor de um tempo
Estremece em sua entranha, indignado

E o mar serpenteou em rouco riso
E os céus jorraram fel em maldição
E a traineira sucumbiu. “Nossos meninos! ”
E as mãos se ergueram em última oração:

“Grande Deus, misericórdia aos nossos filhos
Desce ao barco, traz teus anjos. Compaixão!
São tão frágeis! Os afasta do perigo
E protege-os dessa insana maldição”

E o mar engole os corpos em tempestade
E os anjos cobrem os olhos à visão
É o horror! Sorver a morte à liberdade!
Afundar-se ainda em vida à imensidão

Junto à súplica de um povo que se afoga
Sob o cerco de um mar que se insurgiu
Grita o pai – as minhas filhas restam mortas!
Arrancadas pela onda que as cobriu

Quatro anjos sob o mar de Lampedusa
Que na busca pela paz encontram a morte
Que na morte encontram a paz em águas profundas
Que, do abismo, o pai afogam na saudade.

Triste pai, pelo destino resgatado
Tristes dias, triste eterna solidão
Chora aos pés de um Deus a ele apresentado
E a Ele eleva a dor em oração:

“Senhor Deus do Ocidente, por que vivo
Se minhas filhas dormem frias sob as águas?
Ouve o pranto deste pai, a Ti suplico
Ressuscita os quatro anjos de minh’ alma”

“Desce a Cruz e crava em mim o Teu madeiro
Dá-me a Cruz ... troco conTigo o meu Calvário
Abre as águas ... traz as filhas por quem choro
Que eu morrerei feliz, crucificado! ”

 

(Samia Awada)

 

Licença de uso Pixabay, de compartilhamento e uso de imagens. 

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Palavras-chave:

poesia sobre refugiados, Síria, exílio

Criado em Agosto de 2020

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