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Saga das Almas
O LAGO

I
Eis-te de volta ao mesmo ponto de outrora
À mesma Dor, ao mesmo lago adormecido
Num ciclo débil que repete a trajetória
Ao ponto triste, de outras voltas conhecido
Na face, os sulcos são as provas do cansaço
Do tempo gasto, do girar sem avançar
Onde Esperança encalha ao sol do teu fracasso
Do ir e ir sem nunca ir, nunca chegar
O olhar de só desesperança encara o lago
De tristes águas, noutros idos já bebida
Que se oferece, mais e mais apodrecida
Mas Esperança nega a Dor, avança o passo
Caminha o ciclo onde, buscando a alegria,
Retornará ao lago de tua desdita.
II
Recorda a primeira jornada empreendida
Onde pesava aos ombros carregar teus males:
Mirastes o lago de águas puras, cristalinas
Que te ofertava aliviar-te com a Verdade
Lembra o instante, malfadado viajante
Em que ousastes o doce lago profanar
Nele escondendo teus escombros delirantes
De dores, iras, ilusões, de pouco amar
Para! Retorna! Mira o lago tão ferido
Mergulha ao fundo e te recolhe – Estás lá!
Apodrecendo, de ti mesmo escondido
Busca a Verdade fundo ao lago, antes limpo
Te ampara e segue sem mais ciclos – mira e vai!
Ao reto rumo onde te aguardam outros destinos.
(Samia Awada)


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Palavras-chave:
poesia sobre espiritualidade, auto encontro