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O FILHO

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No lar singelo, em pé, aberta a porta
A mãe espera o filho que não vem
O olhar lhe busca à rua e espreita a hora
Pressente o mal roubar seu maior bem

À simples mesa, o pão que sempre falta
Hoje lhe aguarda, fruto do labor
Espera insana lhe sufoca a alma
Que, preocupada, chora sua dor

A mãe relembra o filho ainda ao ventre
O pai ausente, a triste solidão
Na indiferença, a força em ir em frente
Na incerteza, a alma em oração

Sussurra ao filho logo ao nascimento
- És meu rebento, amor da minha vida!
Por ti me atiro à luta do sustento
Esfrego e lavo em sempre alegria.

À rua, a mãe recorda, a mãe procura,
Enquanto lhe aperta o coração,
Aquele que lhe deu sentido à luta
Aquele que, em viver, lhe deu razão

Relembra o filho em primeiro falar
Primeiro andar em passos de candura
Os anos se passando, o filho ao lar
E nada a lhe tirar tanta ventura

Não sabe como, onde ou por que
Num certo instante algo o transformou
Talvez a rebeldia em nada ter
Talvez não lhe bastasse o seu amor

Triste amizade, a noite, o copo fácil
E pouco a pouco o filho se afastou
Impermeável aos rogos de cuidado
Ele escolheu o vício e se afundou

Oh, triste mãe, que a própria dor sufoca
Que perde o filho mesmo em tendo-o vivo
Se alegra ao vê-lo vir, mas que ao ir, chora
Num vai e vem de alívio, dor e alívio

Ante as lembranças que lhe encharcam a mente
Ela retorna, em peso, ao simples lar
Desesperança chega, como sempre
Lhe aconselhando à porta bem fechar

Mas nessa hora – irônico Destino
Que brinca com a dor sem vacilar
A mãe ao longe entrevê o filho
Voltar em correria em busca ao lar

Adentra a porta o filho, a face em medo
Mas, logo atrás, invade o triste lar
Algoz que, arma em punho, cobra o preço
Da noite, o vício, a dívida a pagar

E, nessa hora, se abre, ao chão, o Averno
E o lar se cobre em densa escuridão
Inspira o algoz, que mira o tiro certo
Enquanto a mãe implora compaixão

Seu coração sublime olha a cena:
Seu filho amado e o filho da desdita,
A arma, o tiro, o filho, a morte certa
E Amor fala mais alto à própria vida

São dois disparos em destino ao filho
Que a mãe recebe ao peito em aflição
Após o Amor jogá-la entre ele e o tiro
À mãe, a morte. Ao filho, a salvação.

. . .

No lar singelo, em pé, aberta a porta
O filho espera a mãe que nunca vem
O olhar a busca ao céu, lhe implora a volta
Pressente o mal que fez ao maior bem

 

(Samia Awada)

 

Licença de uso Pixabay, de compartilhamento e uso de imagens. 

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Palavras-chave:

poesia sobre dramas familiares, filho, mãe, morte

Criado em Agosto de 2020

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