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Saga das Almas
MARIA DE MAGDALA

Mísero corpo, no abandono estertora
Desfigurado, em chagas, em fétido odor
Mal disfarçando o suplício que demora
Bem escondendo a beleza que reinou
Cansados olhos brilham paz, exalam a força
Da alma valente que venceu por muito amar
De sua voz, sentida rogativa ecoa
É a saudade que não cansa de O chamar:
- Vão-me as forças, meu Rabi, aonde estás?
Traz-me de novo a Tua voz, o teu olhar
A mansidão do teu falar que vibra paz
O teu sorrir que me ensinou a me amar
No corpo em dor, a alma recorda os idos tempos
O lar, os pais, sua beleza e rebeldia
O amor, a fuga, a esperança, o desalento
O luxo, o engano, o doce encontro, a nova vida:
- Recordo os dias em que em trevas afundei
Buscando amores, encontrei a solidão
Nessa ilusão de liberdade, escravizei-me
Vendi por ouro a chave do meu coração
Quando, afogada em luxo e não me suportando,
Segui o som dos que cantavam Teu amor
Oh! Raboni, achei-Te junto ao velho lago
E o brilho doce em Teu olhar me perdoou
Da gruta escura da ilusão me resgataste
Me devolvendo a verdade de quem Sou
Me abrindo a vida à visão da realidade,
À porta estreita, à jornada só de Amor
Na cama, o corpo morre e a alma, enfim, liberta
Sob o impulso da saudade que a aflige
Busca, em Cafarnaun, o lago, a praia, a relva
Que, em tudo, lembram o doce Mestre, o Raboni
- Maria, vem! – Disse a voz nunca esquecida
- Maria, vem, sou Eu! Eu nunca te deixei
Venceste a ti, venceste o mundo, alma querida
Hoje por ti me alegro, pois sempre te amei
Em Magdala, lembram a mulher de má fama
Que enlouquecera, dizem, que tudo perdeu
Na eternidade, a redimida acolhe e ama
Os deserdados que a Terra esqueceu.
(Samia Awada)


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Palavras-chave:
poesia sobre maria madalena, evangelho, magdala
