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PERFUME DOS CÉUS

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A densa sombra inda encobre o torpe Vale
onde os guerreiros inda arquejam suas dores
Presos ao pântano, derramam os seus males,
os perdedores e os ingênuos vencedores

E a esse Vale, onde os fortes não descansam
e os mais fracos desconhecem a oração,
desce o Amor que sabe amar os que não amam,
lhes aquecendo o já cansado coração

Anjos-mulheres, nesse pântano de dores,
benditas sois, pelo carinho que consola
Sois o esteio, o regaço, e, como as flores,
curais feridas, perfumando à vossa volta

Quantas mil vezes te esqueceste de ti mesma
para entregar-te aos que te cercam o nobre lar,
doando a eles tua saúde, tua beleza
Nada pedindo, simplesmente por amar!

Quantas mil vezes tu choraste, escondida,
tua saudade dos teus sonhos não vividos,
os teus desgostos amargando a tua vida,
o amor doado, nunca a ti retribuído!

Quantas mil vezes te sentiste tão sozinha,
como se os céus, de onde vieste, se fechassem,
e a densa sombra invadisse a tua vida,
te transformando em prisioneira desse Vale!

Mas tu, mulher, que trazes n’alma a dor da vida,
ergue tua fronte e mira o céu de onde desceste
lembra tua ânsia em resgatar almas queridas:
Tu cativaste o próprio céu, e renasceste.

E tem certeza de que os céus te abrem a porta
e te aguardam, junto a teus doces amores,
pois tua ternura os conquista e os transforma,
os libertando desse pântano de dores.

 

(Samia Awada)

 

Licença de uso Pixabay, de compartilhamento e uso de imagens. 

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Palavras-chave:

mulher, poema espiritualista, poesia, saga das almas, literatura, dia da mulher

Criado em Agosto de 2020

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Direitos autorais  e de propriedade reservados a Samia M. Awada. 

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