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PERDOA-ME MÃE

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Perdoa-me, mãe, por não conseguires
Levar-me ao colo em doce ninar
Beijar-me o rosto nos meus tempos tristes
Nem sentir vontade de me abraçar

Perdoa-me, mãe, tua dificuldade
Em ouvir meus medos sem me criticar
Em falar mais brando, sem severidade
Perdoa-me não conseguires me amar

Eu sei, profanei os teus sonhos maternos
De teres por filhos teus anjos de amor,
Tuas almas passadas, em novo regresso,
Enchendo-te a casa de terno esplendor

Mas eu que voltei, sentiste-me ao ventre!
E ao ventre ouvi-te pensar: “não te quero!”
Senti tua angústia por não entenderes
Por que te secava tua fonte de afeto

Oh! mãe, eu regresso de longínquas eras
Trazida pelo anjo da reencarnação
Eu sou a culpada que a teu lado espera
Que o teu coração me conceda o perdão

Por isso eu persisto, por isso me calo
Por isso te entendo sem nem reclamar
Nas dores dos dias contigo, eu aguardo
Um dia sentir-te de novo me amar.

 

(Samia Awada)

 

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Criado em Agosto de 2020

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